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Radar de Notícias 2 de novembro de 2026

As cinco big techs vão gastar até US$ 753 bilhões em IA, e a Alphabet perdeu US$ 500 bilhões em valor num único dia ao mostrar a conta

Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft somam planos de investimento em IA entre US$ 733 bilhões e US$ 753 bilhões em 2026, segundo a conta do Meio & Mensagem feita com os balanços divulgados entre 28 e 30 de outubro. A Amazon lidera, com cerca de US$ 220 bilhões. Mesmo com receita em alta, as ações de Alphabet e Amazon caíram, e a da Alphabet teve o pior dia desde que a empresa abriu capital, em 2004.

Por que a bolsa reagiu mal a empresas que cresceram

O termo que explica a queda é capex, a sigla em inglês para o dinheiro que a empresa gasta em equipamento e estrutura, no caso data centers e chips de IA. Quando esse gasto cresce mais rápido que o caixa, o fluxo de caixa livre, o que sobra depois dos investimentos, encolhe. Foi o que aconteceu na Alphabet: o fluxo de caixa do terceiro trimestre ficou negativo em US$ 9,07 bilhões, contra uma expectativa de analistas de US$ 2,7 bilhões positivos. A empresa manteve a previsão de US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões em 2026 e avisou que o gasto em 2027 deve subir de forma significativa.

A receita da Alphabet cresceu cerca de 25%, para US$ 127,5 bilhões, e a nuvem dela passou de US$ 30 bilhões no trimestre. Mesmo assim, a ação caiu perto de 13% na quinta-feira, 29 de outubro, e apagou cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado, segundo a CNBC. O lucro líquido também veio abaixo do que o mercado esperava. Ou seja, o investidor olhou menos pro que a empresa vendeu e mais pro que ela vai gastar.

Os números de cada empresa

Pela soma do Meio & Mensagem, depois da Amazon vêm a Alphabet, com US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões, a Microsoft, com US$ 170 bilhões, e a Meta, com US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões. A Apple fica bem longe, com cerca de US$ 13 bilhões, porque aposta menos em construir a própria nuvem de IA. A Amazon teve receita de US$ 201,9 bilhões, e o AWS, o braço de nuvem, cresceu 39%, o ritmo mais forte em quase cinco anos. Ainda assim a ação recuou, e a empresa disse que o gasto de 2027 será bem maior que o de 2026.

Há diferenças entre as fontes que vale registrar. O percentual de queda varia conforme se conta o movimento depois do pregão ou o fechamento do dia seguinte, e o Meio & Mensagem aponta alta de 4% pra Microsoft, enquanto a CNBC descreveu as ações dela como praticamente estáveis, com o gasto do trimestre abaixo do previsto. Os valores da soma também são projeções de cada empresa pra 2026, não dinheiro já gasto.

As empresas mostraram que a IA vende, e a bolsa respondeu perguntando quando o dinheiro volta.

O que isso muda

Olhando como empresário, a lição é simples: crescer não basta quando o custo cresce mais rápido. A Alphabet vendeu mais, a nuvem dela mais que dobrou, e foi punida porque o caixa ficou negativo. Quem tem agência, selo ou produtora pode aplicar a mesma régua. Receita nova que consome toda a margem é só trabalho novo. Eu olharia sempre quanto sobra depois de pagar a entrega.

Pra quem trabalha com música e marketing, o recado é prático. Boa parte das ferramentas de IA que usamos roda nessas nuvens, e uma conta de centenas de bilhões costuma chegar um dia no preço, nos planos e na publicidade dentro dos produtos. Eu não montaria um processo inteiro dependendo de uma só plataforma, e deixaria sempre uma alternativa pronta. Por enquanto, o que está confirmado é o tamanho dos planos. Se o retorno vem, ainda é pergunta aberta.