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Radar de Notícias 25 de outubro de 2026

O Canva criou a própria IA de imagem treinada com templates, e a aposta é que ela planeje o layout antes de desenhar

O Canva lançou na quinta-feira, 22 de outubro, o Craft, o primeiro modelo de geração de imagem treinado pela própria empresa. Ele trabalha em duas etapas: um modelo planeja o layout, com posição dos elementos, escala e texto, e outro renderiza a imagem em até 2K, em mais de 30 proporções. Está disponível pra todos os usuários na aba Dream Lab e, segundo a empresa, também por API pública, o que deixa desenvolvedores usarem o modelo em outros produtos.

Por que o Canva quis um modelo só seu

Até aqui, o Canva oferecia imagens geradas por modelos de terceiros dentro da plataforma. A empresa comprou a Leonardo.ai em 2024, e o TechCrunch conta que pesquisadores da Leonardo ajudaram a construir o Craft. No ano passado, o Canva já tinha lançado um modelo de design que entende camadas. O Craft completa o caminho: agora a casa tem o modelo, a biblioteca e o editor.

O diferencial está no treino. Segundo o Canva, o modelo aprendeu com templates feitos por designers na própria biblioteca, como pôsteres, posts, apresentações, infográficos, cardápios e layouts cheios de tipografia, e não principalmente com fotografias. Isso ataca duas queixas antigas de IA de imagem: texto torto e composição sem hierarquia. A etapa de planejamento decide o que vai onde e com que tamanho antes de qualquer pixel ser desenhado. O Canva Magic ainda pode converter a imagem gerada em design com camadas, que dá pra editar sem mexer no resto.

Os números, e o que ainda é promessa

O Canva diz ter mais de 250 milhões de usuários, que criam cerca de 400 designs por segundo, número que o Olhar Digital reproduz. É essa base que recebe o Craft de imediato, e isso pesa mais que qualquer ranking. Falando em ranking, a empresa afirma que o Craft a coloca como o segundo laboratório de imagem mais avançado do mundo no DesignArena, atrás da OpenAI. É uma afirmação do próprio Canva, e as fontes tratam o resultado como preliminar.

Várias coisas ficaram em aberto. Não há preço divulgado pra API, e o Canva diz apenas que espera reduzir custos. Duas versões mais baratas, Craft-fast e Craft-ultrafast, foram anunciadas, mas ainda não saíram. A integração com ChatGPT e Gemini pelo MCP, o conector que deixa um chatbot usar ferramentas externas, aparece como plano no TechCrunch, enquanto outra fonte a trata como já disponível. O próprio TechCrunch lembra o contexto: o Canva reduziu a previsão de crescimento de 2026, e a empresa tem pressa de mostrar que a IA é produto seu, não só revenda.

Quem planeja o layout antes de desenhar está ensinando a IA a pensar como designer, e a biblioteca de templates do Canva é o que ninguém mais tem.

O que isso muda

Olhando como empresário, o movimento é lógico: o Canva sempre foi o lugar onde o cliente da agência faz o próprio post, e agora ele gera a arte ali mesmo, já num formato que fecha com a marca. Na Utopia, a agência de design do grupo ALKA, a conta é direta: o trabalho de montar variações, adaptar tamanhos e corrigir texto vira recurso de software. O que continua com a gente é o conceito, a direção visual e o critério pra dizer qual versão representa a marca. Vale testar o Craft com um briefing real antes de formar opinião, porque a promessa de texto legível só se confirma no uso.

Na música, o efeito é prático. Capa de single, flyer de show, arte de story e banner de pré-save são peças de layout, com título, data e nome do artista em proporções diferentes, e é exatamente o tipo de coisa que o Craft diz fazer bem. Pra artista independente, isso encurta o caminho entre a ideia e a peça publicada. A diferença vai aparecer em quem tem identidade visual definida pra guiar a ferramenta, porque sem isso todo mundo vai sair com a mesma cara. Fico de olho no preço da API quando sair.