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Radar de Notícias 24 de outubro de 2026

A Galinha Pintadinha começou num clipe de YouTube e, 20 anos depois, virou filme no cinema e área de R$ 50 milhões no Beto Carrero

A Galinha Pintadinha, criada em 2006 por Juliano Prado e Marcos Luporini como animação musical no YouTube, completa 20 anos com o primeiro longa-metragem da marca, lançado nos cinemas em 1º de outubro pela Imagem Filmes. Dias antes, a personagem ganhou uma área temática de 3 mil metros quadrados no Beto Carrero World, com investimento de R$ 50 milhões. Em vídeo publicado pelo Meio & Mensagem em 23 de outubro, os responsáveis pela Galinha e pelo Mundo Bita contaram como licenciamento de produto e experiência presencial levam a receita pra além do digital.

Duas marcas que nasceram de canção

As duas histórias começam parecidas. A Galinha Pintadinha saiu da Bromélia Produções, empresa dos próprios criadores, com animações em cima do repertório infantil brasileiro, aquelas músicas que todo mundo já cantava. O Mundo Bita veio depois, em julho de 2011, de uma conversa entre amigos no Recife enquanto pintavam o quarto da filha de um deles, o Chaps. A produtora Mr. Plot lançou a primeira música em 2012 e escolheu o caminho autoral: personagem, canção e história criados do zero, com participação de nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Caetano Veloso.

O roteiro de crescimento também foi parecido. Primeiro o YouTube, depois streaming e TV, e só então o mundo físico. O Mundo Bita virou série animada no Cartoonito e na HBO Max em 2022. A Galinha deu o salto maior agora: o filme é a primeira história original da marca pensada pro cinema, em animação 3D feita pelo estúdio gaúcho Hype Animation, deixando de lado o formato de clipe musical que sustentou a personagem por duas décadas.

O tamanho do público por trás dos produtos

Os números de audiência explicam por que tanto fabricante quer estampar esses personagens. Segundo a Folha de Pernambuco, o canal do Mundo Bita tem cerca de 14 milhões de inscritos e somou perto de 2 bilhões de visualizações novas só em 2025. No Spotify, são mais de 1,2 milhão de ouvintes por mês e cerca de 15 milhões de reproduções mensais. A produtora já lançou mais de 130 clipes e 15 álbuns, e só "Esplêndida Fauna" passou de 800 milhões de visualizações. A Galinha Pintadinha fala em bilhões de visualizações no YouTube, sem divulgar o número exato.

Esse público vira produto em várias prateleiras. A Galinha tem licenciados em brinquedo, roupa, higiene, alimentação, livro e material escolar. O Mundo Bita aparece em brinquedo, material escolar, higiene, calçado e artigo pra casa, além de shows como o "Festa dos Bichos", que abriu de graça o Festival do Parque, em Salvador, em janeiro. Nenhuma das duas empresas divulgou quanto fatura com licenciamento, então dá pra ver o tamanho da vitrine, mas não o tamanho do caixa.

O clipe gratuito no YouTube virou a vitrine, e a venda acontece na lancheira, no xampu e no ingresso do cinema.

O que isso muda

Olhando como empresário, o que eu vejo aqui é uma escolha de modelo. Mesmo com 15 milhões de reproduções por mês, o que o streaming paga por play é pouco pra bancar produtora, animação e equipe. A saída das duas marcas foi usar a música como porta de entrada e transformar o personagem num ativo que pode ser licenciado, ou seja, emprestado pra outra empresa usar no produto dela em troca de um percentual sobre a venda. Quem licencia não precisa de fábrica nem de estoque. Controla o uso da marca e recebe. É um negócio leve, que cresce junto com a audiência.

Pra quem trabalha com música, como eu na ALKA, a lição vale pra além do infantil. Artista que tem só fonograma depende do algoritmo e do repasse do streaming. Artista que constrói um universo reconhecível, com nome, visual e história, passa a ter o que oferecer pra marca, pra evento e pra produto. Isso leva tempo, e a Galinha precisou de 20 anos pra chegar no cinema. O primeiro passo custa pouco: registrar a marca, cuidar da identidade visual e pensar desde cedo no que daquele trabalho pode sair da tela.