Em 26 de outubro de 2026, o chefe da rede social da Meta, Adam Mosseri, e a VP de produto Tessa Lyons anunciaram o Features, um formato de vídeo horizontal de até 90 minutos pensado pra podcasters, humoristas e outros criadores. O teste começou com um grupo pequeno nos Estados Unidos e inclui alguns criadores no Brasil, segundo a porta-voz Megan Buckley. Por enquanto, a empresa não vai repartir com eles a receita de anúncios desses vídeos.
Por que a Meta mudou de ideia sobre vídeo longo
Mosseri resistiu por muito tempo a esse tipo de conteúdo. O medo dele era que dar mais motivos pra assistir a vídeos deixasse as pessoas com menos tempo pra compartilhar coisas com os amigos, que sempre foi o coração da rede. Quem fica 40 minutos num vídeo vê muitos Reels, fotos e carrosséis que talvez nunca mandaria pra ninguém, e isso derruba curtidas e compartilhamentos.
Agora o discurso é outro. Ele disse que a ideia é ser a plataforma mais relevante culturalmente e, pra isso, aparecer onde as pessoas estão. O plano é que os formatos se complementem: clipes de podcast ou de comédia, publicados como Reels, levam o público pro episódio ou show completo. Mosseri descreveu o projeto como estágio inicial, com testes e coleta de feedback. Em paralelo, a empresa testa uma ferramenta pra agrupar Reels em séries e melhorias pra descoberta de lives.
O que sustenta a aposta e onde ela ainda perde
A Meta já vinha preparando o terreno na tela da sala. O app pra TVs foi lançado no fim do ano passado, começou no Amazon Fire TV e depois chegou ao Google TV, à Samsung e à Apple TV. No início de 2026, ele passou a exibir também os Stories na TV. Em junho, a empresa já testava vídeo horizontal e longo nesse app, e o Features leva a ideia pro celular e pra criadores de verdade, que serão recomendados também por áreas de descoberta do app.
A diferença pro YouTube está no dinheiro. Lá, o criador de vídeo longo recebe parte da publicidade exibida. Aqui, a Meta diz que mantém os acordos publicitários que já existem com criadores, mas não apresentou um modelo equivalente, e usuários já reclamaram disso. Tessa Lyons falou em ajudar quem não tem essa estrutura, sem detalhar como. Também vale um cuidado: não foram divulgados critérios pra entrar no teste nem data pra liberar pra todo mundo.
A Meta quer o seu episódio de 90 minutos, mas ainda não disse quanto vai pagar por ele.
O que isso muda
Olhando como empresário, eu trataria isso como um teste barato de fazer, não como migração. Quem já grava podcast ou show de humor tem o arquivo pronto, e subir uma cópia num segundo canal custa pouco. O risco é gastar tempo de equipe adaptando conteúdo pra um lugar onde ainda não existe retorno financeiro direto. Sem divisão de receita, o ganho precisa vir de outro lado: audiência nova, venda de patrocínio fechado com marca ou tráfego pro seu próprio produto.
Pra quem trabalha com música e marketing, o ponto que mais me chama atenção é o direito autoral. Vídeo longo com trecho de música, bastidor de show ou podcast de artista traz o mesmo problema de licença que já existe em outras plataformas, só que em escala maior e com 90 minutos de chance de aparecer uma faixa sem autorização. Ainda não sei como a Meta vai tratar isso no Features. Vou acompanhar o teste no Brasil antes de decidir se vale mudar a rotina de publicação.