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Radar de Notícias 07 de outubro de 2026

O homem que usou 10 mil contas falsas pra ouvir música feita por IA bilhões de vezes pegou 18 meses de prisão

Em 6 de outubro, a Justiça americana condenou Michael Smith, de 54 anos, morador de Cornelius, na Carolina do Norte, a 18 meses de prisão por usar milhares de contas falsas pra gerar bilhões de reproduções de músicas feitas por IA e ficar com mais de US$ 8 milhões em royalties de streaming. Além da prisão, ele pegou dois anos de liberdade supervisionada e o confisco de US$ 8.091.843,64.

Como o esquema funcionava

Entre 2017 e 2024, Smith abriu milhares de contas falsas em serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music e YouTube Music, e usou essas contas pra tocar, bilhões de vezes, centenas de milhares de músicas geradas por IA. Em alguns momentos chegou a operar até 10 mil contas ao mesmo tempo, abertas com e-mails falsos e cartões de débito obtidos de forma fraudulenta. Cada reprodução rendia um pedaço de royalty, e a soma chegou a mais de US$ 8 milhões.

A pena ficou bem abaixo do que a promotoria pediu

Smith se declarou culpado em 19 de março de 2026, perante o juiz Koeltl, de um crime de conspiração pra fraude eletrônica. A promotoria pediu pelo menos 46 meses de prisão, e a pena de 18 meses ficou em menos da metade disso.

O dinheiro que Smith levou não veio do nada: royalty de streaming sai de um bolo dividido pelo número de reproduções, então cada play falso tira um pedaço de quem tem música de verdade.

O problema é maior que um caso só

Em setembro, a IFPI lançou a Streaming Integrity Initiative, um padrão comum contra fraude de streaming que Universal, Sony, Warner e mais de vinte distribuidoras assinaram, com compromisso de verificar a identidade de quem faz upload e a titularidade dos direitos. A DistroKid, que distribui cerca de 40% da música nova do mundo, ficou de fora, e na mesma semana foi processada pela Universal por causa de um suposto pipeline de música gerada por IA. No Brasil, a Operação Authêntica, iniciativa do CyberGaeco e do Ministério Público de São Paulo com apoio da IFPI e da APDIF do Brasil, já levou à condenação definitiva de uma plataforma que vendia serviço fraudulento de streaming.

O que isso muda

Até aqui, fraude de streaming era tratada pelas plataformas como problema de remoção de faixa e corte de royalty. A condenação de Smith mostra o outro lado: dá cadeia, e a Justiça tratou a combinação de bot com música gerada por IA como crime sério. A pena menor que a pedida também mostra que o sistema ainda está calibrando quanto isso pesa. Pra artista e gestor de catálogo, o recado prático é conferir se o distribuidor assinou o padrão da IFPI e como ele verifica quem sobe música, porque essa verificação é o que separa o play real do play que sai do bolo de royalties de todo mundo.