As maiores redes sociais do mundo estão colocando nas mãos do usuário o controle do que aparece no feed. A rede de fotos e vídeos da Meta levou o recurso Seu Algoritmo, que começou nos Reels, pra o aplicativo inteiro, e o Facebook recebeu a mesma função. O TikTok tem filtros por categoria e por palavra-chave, e o YouTube anunciou abas de feeds por interesse. A reportagem do Olhar Digital é de 23 de outubro, e a CNN tratou do mesmo movimento um dia antes.
Por que as redes resolveram devolver o volante
Durante anos, as plataformas apostaram em recomendação automática e deixaram em segundo plano o que as contas seguidas publicavam. Quem se lembra de quando o feed mostrava só as pessoas que você escolheu seguir sabe como era diferente. Segundo a CNN, Tessa Lyons, vice-presidente de produto da rede da Meta, disse que a meta agora é devolver parte do controle que o usuário tinha ao escolher quem seguir, sem abrir mão das recomendações.
O Seu Algoritmo funciona assim: o app mostra os assuntos que ele acha que interessam a você e deixa você pedir mais ou menos de cada um. O recurso foi anunciado em 10 de dezembro de 2025, nos Estados Unidos, dentro dos Reels. Lyons explicou que a novidade está em escrever o pedido em linguagem comum, algo que os sistemas antigos não entendiam bem. O exemplo dela foi o tênis: antes, a plataforma não sabia dizer qual conteúdo de tênis era o mais relevante pra cada pessoa. A rede já tinha, desde 2022, o feed cronológico e o feed de contas favoritas, como alternativas à recomendação.
Cada rede fez do seu jeito
O TikTok oferece controles pra regular a frequência de categorias de conteúdo e uma ferramenta separada pra filtrar palavras-chave e termos relacionados. O YouTube foi por outro caminho: apresentou os feeds personalizados no Made on YouTube, abas próprias ao lado do feed principal, voltadas a interesses como exercício físico e vídeos de ASMR, aquele conteúdo de sons que dão sensação de relaxamento. Segundo o Samaa, o CEO Neal Mohan disse que a ideia é o espectador poder programar o próprio feed.
Há limites, e as reportagens deixam isso claro. Os novos controles não bloqueiam todo conteúdo feito com IA, e Mohan afirmou que separar vídeo de IA de vídeo feito por gente é uma distinção artificial, porque muita produção mistura os dois métodos. O professor Tim Weninger, da Universidade de Notre Dame, lembra que conteúdo que provoca raiva ou tristeza também gera visualização, comentário e compartilhamento, o que pode confundir o sistema. Usuários dos primeiros testes também relataram acerto frouxo: quem escolheu snowboard recebeu conteúdo de esqui. Nenhuma das fontes que encontrei traz números de adoção, então não dá pra dizer ainda quanta gente usa essas ferramentas.
Se o usuário passa a dizer o que quer ver, o alcance deixa de ser sorte de algoritmo e vira resposta a um pedido.
O que isso muda
Olhando como empresário, o recado é prático. Até aqui, o alcance orgânico dependia de o algoritmo adivinhar quem se interessaria pelo seu conteúdo. Com o usuário declarando interesses por escrito, escolhendo abas e filtrando palavras, o conteúdo genérico perde espaço pro que tem assunto claro. Pra artista, isso pesa: quem posta sem tema definido fica difícil de classificar, e o que não é classificado dificilmente entra no feed de alguém que pediu algo específico. Marca que mistura assuntos num mesmo perfil também sente.
Trabalhando com música e marketing, eu começaria pelo básico: decidir sobre o que cada perfil fala, usar essas palavras na legenda e na descrição, e manter uma linha editorial que dê pra resumir em uma frase. Também seguiria de olho no resultado, porque ainda é cedo e há muita coisa em teste, com adoção desconhecida. Se o feed vai ser montado pelo usuário, vence quem se deixa entender rápido.