O Spotify fechou o terceiro trimestre de 2026 com 306 milhões de assinantes Premium, alta de 9% em um ano, e 788 milhões de usuários ativos por mês. A receita foi de 4,97 bilhões de euros, 16% acima do mesmo período de 2025, segundo o balanço divulgado em 22 de outubro. O dado que mais chama atenção está na divisão por região: a América Latina já tem 24% dos assinantes pagos, um ponto atrás da América do Norte.
Como a região chegou até aqui
No terceiro trimestre de 2022, a América Latina tinha 21% dos assinantes do Spotify. Um ano atrás eram 23%. Agora são 24%, algo perto de 73 milhões de pessoas pagando. A América do Norte tem 25%, a Europa segue bem na frente com 36% e o resto do mundo soma 15%. Contando também quem ouve de graça com anúncio, a região responde por cerca de 21% dos usuários da plataforma.
Esse crescimento veio junto com aumento de preço. O ARPU, a receita média que cada assinante deixa por mês, subiu 9,3% em um ano, pra 4,95 euros, e mesmo assim a base cresceu em todas as regiões. Segundo a Music Business Worldwide, o copresidente executivo Alex Norström disse que cerca de 11% da população latino-americana já paga pelo serviço. Ou seja: a região ainda tem muita gente que ouve e não assina.
Volume na frente, dinheiro atrás
O trimestre veio um milhão de assinantes acima da própria previsão da empresa, que era de 305 milhões. A margem bruta, o que sobra da receita depois de pagar direitos e custos diretos, bateu recorde pra um terceiro trimestre: 33%. O lucro operacional foi de 672 milhões de euros. A publicidade cresceu menos, 10%, e somou 482 milhões de euros, menos de um décimo da receita total. Pro quarto trimestre, o Spotify projeta 316 milhões de assinantes e 818 milhões de usuários.
A Music Ally aponta que a América Latina pode passar a América do Norte em número de assinantes já no próximo trimestre, mas não em receita. A conta é simples: o Premium custa bem menos na região do que nos Estados Unidos, então cada assinante latino gera menos dinheiro. Ter mais gente pagando não quer dizer ter mais dinheiro entrando, e é por isso que a Europa e a América do Norte seguem como o centro financeiro da empresa.
A América Latina virou a maior torcida do Spotify, mas ainda paga ingresso de arquibancada.
O que isso muda
Olhando como empresário, esse é o tipo de número que muda prioridade dentro de uma empresa. Quando um quarto da base paga mora numa região, produto, equipe e curadoria passam a olhar pra ela com outro cuidado, e isso já aparece em movimentos como o programa que paga podcaster e os audiobooks chegando ao Brasil este ano. Pra quem lança música aqui, a audiência pagante local deixou de ser detalhe. O ponto de atenção é que o dinheiro distribuído na região sai de uma receita por assinante menor, então um stream latino tende a render menos que um americano.
Pra quem administra catálogo, como a Music Copyright faz no ecossistema da ALKA, a conta fica sendo de escala e de cadastro. Se a região cresce em volume e o valor por assinante sobe devagar com os reajustes, quem ganha é quem tem cada obra registrada direito, com créditos e divisões corretas, pra não perder parte desse dinheiro no caminho. Vale acompanhar o balanço de fevereiro pra ver se a virada sobre a América do Norte acontece de fato.