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Radar de Notícias 2 de novembro de 2026

O Spotify quer cobrar de US$ 4 a US$ 5 por mês pelo remix com IA no início de 2027, mas Sony e Warner ainda não assinaram

O Spotify mira o início de 2027 pra lançar a ferramenta de covers e remixes feitos por IA, segundo reportagem do Financial Times de 30 de outubro. O produto seria um adicional pago, de US$ 4 a US$ 5 por mês acima da assinatura, e poderia ser apresentado perto do Grammy, em fevereiro. A Universal, a Merlin e a Believe já fecharam acordo de licenciamento. A Sony e a Warner ainda negociam. Nada disso foi confirmado oficialmente pelo Spotify.

Como a ferramenta chegou até aqui

O Spotify anunciou em maio uma ferramenta de IA pra fãs criarem covers e remixes de músicas, mas sem data e sem preço. De lá pra cá, a empresa foi atrás das licenças. De acordo com a cobertura, o acordo da Merlin, que representa gravadoras independentes, saiu em 4 de agosto, e o da Believe, em 20 de outubro. A Universal também já está dentro. O ponto é que remix feito por IA usa a música original como matéria-prima, então sem licença do dono do catálogo não existe produto.

O outro lado da conta é o artista. Mesmo quando a gravadora licencia o catálogo, o FT afirma que o artista decide se entra ou não. Conseguir os grandes nomes de hoje tem sido mais difícil do que conseguir artistas veteranos e consagrados. O diretor digital da Universal, Michael Nash, disse à Economist que muita coisa depende de quantos artistas de ponta aceitarem participar.

Os números e o que ainda falta

Nash espera que cerca de mil artistas da Universal participem. Ele também estimou que de 20% a 30% dos assinantes de streaming pagariam até o dobro da mensalidade atual por produtos de superfã com IA, dependendo de quais artistas entrarem. É uma projeção de executivo de gravadora, não um dado de mercado medido.

Há ressalvas importantes. O texto original do FT é pago, então os detalhes vêm de coberturas de segunda mão, como a Music Ally e a Music Business Worldwide. Preço e prazo são o que o Spotify está avaliando, não o que anunciou. Uma das publicações que encontrei trouxe um valor de US$ 5,99 e um nome de produto que não batem com o restante da cobertura, e por isso não usei. Uma das reportagens diz que os royalties de um remix iriam pros artistas da música original, mas eu não consegui confirmar como a divisão seria feita.

O Spotify já tem três licenciadoras e uma data de sonho, mas ainda precisa de duas majors e dos artistas que o público mais quer remixar.

O que isso muda

Como empresário, eu olho primeiro pro modelo: o Spotify está tentando vender algo além da música, que é participar dela. Um adicional de US$ 4 a US$ 5 só funciona se o fã achar que está criando algo e não apenas ouvindo. Se der certo, abre uma nova linha de receita pra plataforma e pra quem tem catálogo. Se os grandes artistas não entrarem, o produto nasce com vitrine pequena.

Pra quem trabalha com direito autoral e marketing musical, o recado prático é acompanhar duas coisas: as regras de opt-in do artista e como os royalties de remix serão divididos entre gravadora, editora e compositor. Quem é independente e distribui por Merlin ou Believe provavelmente vai ser chamado a decidir mais cedo do que imagina. Eu leria o contrato com calma antes de aceitar, porque ainda não se sabe como esse dinheiro será repartido.