O Spotify expandiu o Taste Profile, recurso que mostra como o app entende o gosto de quem ouve e deixa pedir ajuste na recomendação por linguagem natural, pra assinantes Premium maiores de 18 anos nos Estados Unidos. O teste começou antes na Nova Zelândia.
Dez anos de reclamação sobre o algoritmo
O Discover Weekly, playlist semanal de descoberta do Spotify, completou uma década sem que o usuário tivesse qualquer controle direto sobre ela. A reclamação mais comum sempre foi a mesma: dois dias ouvindo um gênero fora do hábito, e a recomendação inteira vira refém daquilo, sem jeito de reverter. Pesquisadores chamam isso de "caixa-preta" do streaming, o algoritmo decide sozinho e o usuário só observa o resultado. O Spotify já tinha dado um primeiro passo em junho de 2025, deixando escolher até cinco gêneros pra guiar o Discover Weekly. O Taste Profile é o passo seguinte, e bem maior: em vez de marcar caixinha de gênero, o usuário conversa com o algoritmo.
Como funciona
Pela primeira vez, dá pra ver o resumo que o Spotify faz do seu gosto em música, podcast e audiobook, e pedir mudança direto nesse resumo. Se a conta toca música infantil porque o filho usa o mesmo perfil, dá pra avisar que aquilo não deve influenciar a recomendação. Também dá pra pedir mais variedade quando a página inicial ficar repetitiva, ou puxar recomendação em torno de um gênero, época ou clima específico.
Uma IA por trás do ajuste
O recurso usa IA pra interpretar o que o usuário escreve e ajustar o Taste Profile de acordo. A ideia nasceu em março, quando o co-CEO Gustav Söderström apresentou o conceito de dar controle mais direto sobre a recomendação, num evento em Austin.
Abrir o algoritmo pra edição direta do usuário é uma aposta que troca "confiar na IA" por "conversar com a IA", e isso muda a relação de quem ouve com a curadoria automática.
O que isso muda
Durante anos, o algoritmo de recomendação foi tratado como segredo de negócio, uma vantagem competitiva que nenhuma plataforma explicava em detalhe. O Taste Profile inverte essa lógica: o Spotify está literalmente mostrando pro usuário como a máquina te enxerga, e deixando editar esse retrato. Isso tira peso de cima de um problema antigo, o algoritmo errar e o usuário não ter pra onde reclamar, mas também expõe o Spotify a um risco novo: se a curadoria automática deixa de ser o diferencial e vira ferramenta que qualquer concorrente pode copiar, o valor da marca passa a depender ainda mais de catálogo, preço e experiência ao redor da música, não só da IA por trás da recomendação.