Em 1º de outubro, no Bloomberg Screentime, em Los Angeles, o CEO da Suno, Mikey Shulman, disse que a empresa está "muito além" dos 2 milhões de assinantes pagos e dos US$ 300 milhões de receita anual que divulgou em fevereiro. Ele não deu número novo, e ainda defendeu que é bom a música feita por IA não ter regra firme por enquanto.
O que ele disse, e o que ficou de fora
Na tradução livre da fala de Shulman, os últimos números divulgados pela empresa foram 2 milhões de assinantes e US$ 300 milhões em receita, e a Suno já está muito além disso, com bastante tração. Ele se recusou a atualizar as cifras. Ou seja, o dado oficial mais recente segue sendo o de fevereiro, e qualquer número acima disso é, por enquanto, só a palavra do CEO.
De onde vieram os números de fevereiro
Em fevereiro, a Suno anunciou 2 milhões de assinantes pagos e US$ 300 milhões de receita recorrente anual, um salto de 50% em três meses, já que em novembro de 2025, quando fechou uma rodada Série C de US$ 250 milhões que a avaliou em US$ 2,45 bilhões, a receita anual era de US$ 200 milhões. Na época, mais de 100 milhões de pessoas já tinham usado a plataforma, que gerava cerca de 7 milhões de músicas por dia, com planos que vão do gratuito a US$ 10 e US$ 30 por mês.
A virada pros modelos licenciados
Boa parte da história recente da empresa é a troca de briga por acordo. A Suno encerrou o processo da Warner Music em novembro de 2025, num acordo que permite treinar modelos com o catálogo da gravadora, prevê modelos novos e licenciados no lugar dos atuais, e incluiu a compra do Songkick, que era da Warner. Depois vieram a BMG, em 12 de agosto, e a Believe, em 8 de setembro. Em setembro, a empresa lançou os modelos v6, construídos em parceria com Warner, BMG e Believe, que substituíram os anteriores, os que levantavam questionamento de direito autoral.
Passar de cobrada na Justiça a parceira de gravadora em menos de um ano é uma mudança de posição que o tamanho da receita ajuda a explicar: fica mais barato licenciar do que continuar sendo processada.
Regra firme, só mais pra frente
Sobre a rotulagem de conteúdo gerado por IA, Shulman disse que é "bom a gente não ter regra firme ainda", porque o cenário tecnológico muda rápido e as decisões sobre padrão de música por IA deveriam ser tomadas em conjunto por vários interessados, e não por uma parte só, seja a plataforma de IA ou o detentor de direitos.
O que isso muda
É uma fala conveniente pra quem opera a plataforma: sem regra firme, quem lidera o mercado define o padrão na prática. Pra artista e detentor de direito, o recado mais útil é outro: o jeito de ter voz nesse mercado passou a ser licenciamento direto, como o que a Universal fechou com a ElevenLabs e a Warner fechou com a própria Suno, não processo. No Brasil, a conversa equivalente está parada no artigo 65 do PL 2338/2023, que prevê remuneração pra quem tem obra usada no treinamento de IA com fim comercial, e que só deve ser votado depois das eleições. Enquanto isso, as empresas de IA fecham acordo lá fora e seguem crescendo, e a regra vai sendo escrita pelos contratos antes de ser escrita pela lei.