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Radar de Notícias 24 de outubro de 2026

A Warner juntou gravação e composição numa só equipe de sincronização, e quer que a marca peça a música uma vez só

A Warner Music Group anunciou em 21 de outubro que juntou numa única divisão global as equipes de sincronização, a área que licencia música pra publicidade, filme, série e game. Entram no mesmo time a editora Warner Chappell, as gravadoras Atlantic Music Group e Warner Records Group e a distribuidora ADA. Quem comanda é Ron Broitman, promovido a presidente de sync global, que responde ao diretor de operações Tom Corson e tem supervisão estratégica de Guy Moot, chefe da Warner Chappell. A empresa promete um único ponto de entrada pra todo o catálogo e liberações mais rápidas, mas não divulgou cortes de pessoal nem números ligados à mudança.

Por que a música de um anúncio precisa de duas assinaturas

Toda música gravada carrega dois direitos diferentes. Um é o da composição, a letra e a melodia, que fica com a editora e os compositores. O outro é o do fonograma, a gravação em si, que costuma ser da gravadora. Pra colocar uma faixa num comercial, a produtora precisa das duas autorizações, e muitas vezes negocia com dois times que nem sempre conversam, cada um com seu prazo, seu preço e sua papelada. Quando gravação e composição estão debaixo do mesmo grupo, como acontece com boa parte do catálogo da Warner, isso vira retrabalho dentro da própria empresa.

Broitman conhece esse problema de perto. Na BMG, já tinha unificado o sync de editora e gravadora, passou pela Sony/ATV e em 2013 assumiu a operação conjunta da Warner Chappell com o catálogo da Rhino nos Estados Unidos. Até agora era vice-presidente executivo de sync global das gravadoras da Warner, com trabalhos no Super Bowl, no final de Stranger Things e no trailer de Narnia: The Magician's Nephew, de Greta Gerwig, que usa Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. A nova divisão vai cuidar da oferta criativa, de novos negócios, da liberação, da administração e da análise de dados de todos os direitos de sync da Warner no mundo.

Um mercado pequeno que todo mundo quer arrumar

Em dinheiro, sincronização ainda é uma fatia modesta. Pelo relatório global da IFPI divulgado em março, a receita de sync das gravadoras ficou em cerca de US$ 641 milhões em 2025, queda de 2% sobre o ano anterior, enquanto a música gravada como um todo cresceu 6,4% e chegou a US$ 31,7 bilhões. Esse número conta só o lado da gravação, porque a parte da composição entra na conta das editoras. Mesmo assim, o recado é claro: o bolo não está crescendo sozinho, e quem quiser faturar mais vai precisar ganhar o cliente no atendimento.

A Warner não é a primeira a fazer esse movimento. Em janeiro, a BMG juntou sync, música de biblioteca e serviços de mídia num balcão único pra marcas, cineastas e criadores, segundo a Music Ally. E licença em anúncio virou assunto quente dentro da própria Warner: neste mês a empresa processou a Luxottica, dona da Ray-Ban, por 427 músicas usadas em anúncios nas redes sociais sem autorização, numa conta que pode chegar a US$ 64 milhões. Quem cobra pesado de quem usa sem pedir precisa encurtar o caminho de quem quer pagar.

Quando liberar uma música demora mais que produzir o anúncio, a marca troca de faixa, e o dinheiro vai pro catálogo de outro.

O que isso muda

Como empresário, eu leio isso como uma decisão de atendimento. Quem compra música pra publicidade trabalha com prazo de campanha, e a agência que precisa de resposta em dois dias escolhe a faixa que libera em dois dias, mesmo gostando mais de outra. A Warner percebeu que estava perdendo venda pela própria burocracia. O ponto de atenção fica com o compositor. Guy Moot fez questão de dizer que o time da editora continua dentro da operação, e isso tem motivo: existe o receio de que a gravação, que costuma ser o lado mais vistoso, puxe a negociação pra si. Vale acompanhar se a divisão do valor entre os dois lados muda com o tempo.

Pra quem trabalha com catálogo no Brasil, como a Music Copyright e a Players no ecossistema da ALKA, o recado é prático. Ter gravação e composição organizadas, com titularidade clara e alguém que responda pelos dois direitos, vira vantagem quando uma agência liga atrás de uma faixa pra ontem. Uma major com milhares de funcionários reorganizou a casa pra conseguir dizer sim mais rápido. O independente que já consegue fazer isso numa ligação tem um bom argumento de venda nas mãos.