Na quarta-feira, 28 de outubro, a Alphabet divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2026 e disse que o YouTube Music e o YouTube Premium passaram de 150 milhões de assinantes no mundo. O número inclui quem está em período de teste grátis e é 25 milhões maior que o de março de 2025. No mesmo balanço, a receita de anúncios do YouTube foi de US$ 11,2 bilhões, alta de 9%.
De onde vem esse crescimento
O YouTube Premium existe desde 2018 e vende basicamente duas coisas: vídeo sem anúncio e o YouTube Music, o app de streaming de música. Durante anos ele foi tratado como um produto secundário perto da máquina de anúncios. Isso mudou aos poucos. No primeiro trimestre de 2026, o CEO Sundar Pichai disse que o Music e o Premium tiveram o maior aumento trimestral de assinantes fora de período de teste desde o lançamento, tanto no mundo quanto nos Estados Unidos.
Na chamada de resultados, a diretora financeira Anat Ashkenazi atribuiu o avanço da receita de assinaturas ao crescimento do YouTube, em especial do Music e do Premium. A linha de assinaturas, plataformas e dispositivos do Google somou US$ 14,3 bilhões no trimestre, alta de 11%. Ela também citou a demanda por planos de IA no Google One, então o resultado não vem só do YouTube.
O que os números mostram e o que eles escondem
Os 150 milhões contam testes grátis, e a Alphabet não separa quantos são do Music, quantos são do Premium e quantos pagam de fato. Por isso é arriscado comparar direto com o Spotify, que chegou a 306 milhões de assinantes no mesmo período, segundo a cobertura que fizemos aqui no blog. São contagens feitas de jeito diferente. O que dá pra dizer com segurança é a direção: o YouTube soma cerca de 25 milhões de assinantes em pouco mais de um ano e meio.
O outro número vem do lado dos anúncios. Segundo o Digital Music News, o diretor de negócios do Google, Philipp Schindler, disse que a sala de estar respondeu por mais de um terço da receita de anúncios do YouTube, ou seja, o vídeo visto na TV. Essa frase só apareceu nessa fonte, e não achei o mesmo trecho no comunicado da Alphabet, então vale tratar com cautela. Já a Nielsen mostrou que o YouTube passou de 15% de todo o tempo gasto com TV nos lares americanos em agosto, pela primeira vez desde que esse dado é divulgado. O mercado também reagiu mal ao balanço: o lucro por ação ficou abaixo do esperado e a ação caiu perto de 10% fora do pregão.
O YouTube cresce em assinatura e em anúncio ao mesmo tempo, e a música fica no meio dos dois.
O que isso muda
Como empresário, eu olho primeiro pra a diversificação de receita. Uma plataforma que vive de anúncio e de assinatura paga o criador por dois caminhos, e isso tende a melhorar a conta de quem tem catálogo. Pra quem trabalha com música, como no Players Music, o YouTube deixa de ser só vitrine e passa a ser lugar onde o ouvinte paga. Ao mesmo tempo, o crescimento da TV da sala empurra o vídeo longo e o clipe pra uma tela em que a pessoa fica mais tempo parada, o que favorece quem produz conteúdo com começo, meio e fim.
Pra quem cuida de direito autoral, como no Music Copyright, o ponto é conferir se a obra está bem registrada e bem identificada no YouTube, porque quanto mais dinheiro passa por ali, mais pesa o Content ID e a divisão do que é pago. Eu não tiraria conclusão sobre quanto cada assinante rende ao artista, porque esse dado não foi divulgado. Minha leitura é prática: olhar o YouTube com o mesmo cuidado que se dá ao Spotify, e pedir os relatórios de repasse com regularidade.